sexta-feira, 5 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
Façamos, vamos amar
"Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso destruir-me agora se me preocupar demais com o amanhã"
Amigos de bar, a frase acima não foi dita por Amy Winehouse. Mas poderia perfeitamente ter sido assinada por ela. Como outros ídolos que sucumbiram cedo demais ao poder das drogas, a jovem cantora deixou a vida para se transformar em mito. Exatamente como aconteceu com Janis Joplin, quarenta e um anos atrás. Janis é a autora da frase que abre o post. Assim como Amy, ela morreu no auge da carreira, com apenas 27 anos de idade.
Não conheço muito o trabalho de Amy Winehouse. Só agora, com a repercussão da morte, é que ouvi mais atentamente 'Rehab'. Que voz ela tinha, né ? Por falar em voz feminina, existem cantoras brasileiras fenomenais que passam a vida despercebidas e ignoradas pela mídia. Elza Soares é uma delas. Se fosse americana, com certeza Elza seria tratada como diva em qualquer palco do mundo. Mas aqui ela é sempre lembrada como a viúva do Garrincha. Hoje, a caminho de São Paulo, ouvi no carro uma canção gravada por ela e pelo sempre genial Chico Buarque. Cole Porter deve estar orgulhoso. É só clicar abaixo para se deliciar com a versão de Chico e Elza. E, se ´pulgas em calcinhas e calções, fazem...', façamos! Vamos amar...
Save me, please...
A partir de que momento um erro é aceitável ? A pergunta, claro, se refere a erros graves, que podem mexer com a vida de uma pessoa. Até porque, pequenos erros cometemos a toda hora. Passamos a vida nos desculpando. E aceitando desculpas. Todos estamos sujeitos a eles. Penso que, quando inconscientes ou involuntários, erros se tornam aceitáveis depois que desculpados ou corrigidos. Mas quando planejados, podem ser imperdoáveis. As reportagens abaixo mostram erros que alteraram o caminho de algumas pessoas. O primeiro, um erro grotesco. Que poderia ter sido corrigido antes de marcar profundamente a vida de uma mulher. Fazia 28 anos que dona Sueli pedia socorro. E ninguem a ouvia.
O erro que mudou a vida de dona Sueli ainda pode ser corrigido. Mas para uma jovem advogada que buscava a realização profissional em São Paulo, dois erros no trânsito acabaram em tragédia. Jovem, bonita, rica e inteligente, Carolina cometeu uma infração que talvez todos nós já tenhamos cometido tambem. Ultrapassou o sinal vermelho. Mas do outro lado vinha um jovem igualmente rico e inteligente, numa velocidade impensável para as ruas de um bairro paulistano. Neste caso, o erro não poderá jamais ser corrigido. Embora sempre exista tempo para as desculpas. E para o perdão.
Kill me, please...
Todo mundo sabe o que é depressão. Por ter ouvido falar ou por conviver com pessoas que padecem com a doença. Ela é sorrateira. Se instala e vagarosamente consome sentimentos básicos e essenciais como a alegria, a felicidade e, algumas vezes, até a vontade de viver. Mas até onde pode chegar essa sensação que corrói e, eventualmente, deforma a personalidade das pessoas ? A resposta pode estar na reportagem sobre a mulher que planejou seu próprio assassinato. Durante anos, a jovem advogada foi tratada como depressiva. Mas tinha, na verdada, uma doença ainda mais grave. Se chama Transtorno de Borderline. Borderline significa 'limitrofe'. É a fronteira exata entre o que chamamos de normal e aquilo que conhecemos como insano. Quem sofre desse mal caminha o tempo todo no fio da navalha. Basta um escorregão para cair. E quem cai, muitas vezes, não consegue mais se levantar. Foi o que aconteceu com a advogada de Penápolis, no interior de São Paulo. Para ela, a sensação de abandono e rejeição foi mais forte que qualquer razão para viver.
Ainda existe uma controvérsia sobre o mal que afligia a advogada. O Transtorno de Borderline transforma a pessoa num potencial suicida. Mas a vontade de tirar a própria vida se manifesta em situações pontuais. É como se fosse um surto. Vem, se manifesta, e passa. Mas o plano da advogada foi calculado nos minimos detalhes. A elaboração da propria morte começou na noite de sábado. E só se consumou na madrugada da terça-feira. Ela teve tempo de pensar e repensar em tudo. E de se arrepender tambem. Mas escolheu morrer pelas mãos de outra pessoa. Uma fonte segura disse que, na véspera, ela esteve na igreja e se confessou para o padre. Será que foi a religiosidade que a impediu de tirar a própria vida ? Nunca saberemos.
Ps: Muita gente, médicos inclusive, confundem o Transtorno de Borderline com a depressão. E, por esse Brasil afora, inúmeros pacientes são diagnosticados de forma equivocada. E tratados com medicamentos que não inibem os sintomas perigosos e, as vezes fatais, do transtorno de Borderline.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Repúbliká ng̃ Pilipinas - Primeira parada: Manila
Chegamos em Manila num dia ensolarado. E aqui o sol, necessariamente, é sinônimo de muito calor. Temperatura na casa dos 35 graus. O trajeto até o hotel é tranquilo. Não muito rápido, por causa do transito caótico, mas tranquilo. Durante o percurso faço o que sempre costumo fazer quando estou numa cidade desconhecida: mantenho os olhos atentos, tentando fotografar na retina tudo que é inusitado, apreciando a arquitetura, o trânsito, as pessoas, enfim, me deliciando com as diversas faces de uma cidade que, à primeira vista, parece diferente. Mas descubro,assim, que algumas dessas faces são incrivelmente familiares para nós, brasileiros. Muito de Manila evoca a periferia de nossas metropoles. Para o bem e para o mal. O emaranhado de fios nos postes, sugerindo 'gatos'' pra todo lado, ruas cheias de buracos, mas uma gente alegre, receptiva e sorridente.

O lado nobre da cidade tem avenidas bem asfaltadas, fontes luminosas, lojas de grife e uma gente cheia de empáfia, desfilando com cachorrinhos na coleira. Não adianta. O novo rico é igual em qualquer lugar do mundo.Mil vezes a periferia. O motorista explica que nosso hotel fica num dos melhores bairros da cidade. Quando chegamos, a realidade é bem diferente. Fico imaginando como são os piores bairros, já que o nosso tem ruas sujas e escuras. Cheiram urina. E a prostituição rola solta. A moeda é o peso filipino, que é convidativo para compras. Um real brasileiro vale 38 pesos. E descubro, logo ali, na esquina do hotel, como é bom ter uma moeda forte no bolso. O jantar solitário, num bom restaurante japonês, com direito a sushi, sashimi, bebidas e outros 'mis' mais, sai por módicos 12 reais. Vou virar freguês.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Repúbliká ng̃ Pilipinas
Amigos de bar!! Semana que vem atualizo o blog! Com histórias filipinas e tailandesas.
Por enquanto, algumas fotos. A primeira é de um vale na região de Banaue, onde ficam os Terraços de Arroz, que os filipinos chamam de Oitava Maravilha do Mundo. Aliás, a foto de abertura do blog (acima)tambem mostra os terraços. A outra imagem (abaixo) é sobre o ballot, o 'prato' que provocou náuseas em mim e em muitos telespectadores. E a última mostra Ruben Enaje, um dos protagonistas da reportagem que vai ao ar no próximo domingo. A foto dele já conta alguma coisa.
Por enquanto, algumas fotos. A primeira é de um vale na região de Banaue, onde ficam os Terraços de Arroz, que os filipinos chamam de Oitava Maravilha do Mundo. Aliás, a foto de abertura do blog (acima)tambem mostra os terraços. A outra imagem (abaixo) é sobre o ballot, o 'prato' que provocou náuseas em mim e em muitos telespectadores. E a última mostra Ruben Enaje, um dos protagonistas da reportagem que vai ao ar no próximo domingo. A foto dele já conta alguma coisa.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Os frutos da maldade
Até que ponto pode chegar a maldade humana ? Esta pergunta não me sai da cabeça. E martela mais forte desde que duas meninas foram mortas em Cunha, no interior de São Paulo. Josely e Juliana moravam com os pais e mais uma irmã, Betânia, num pequeno sítio. E tinham sonhos singelos. Josely, de dezesseis anos, queria ser manicure. Juliana, de quinze, dizia que, um dia, a mãe iria ve-la desfilando em uma passarela. O pai, seo José, me contou que o nome da segunda menina, Josely, tinha sido dado por ele. Como eles queriam um menino, e veio uma menina, a mãe, dona Iracema, disse que ele podia escolher o nome. E ele escolheu Josely (a pronúncia é Josély e não Joselí) porque deriva de José. Simples. Como a vida da família. Como os sonhos das meninas. Como os sonhos de seo José e dona Iracema. Todos relacionados com o futuro de Juliana, Josely e Betânia, que acabou de completar dezoito anos. E agora está sozinha. Ela mostrou o quarto onde dormiam. Tem apenas um guarda-roupa e duas camas. Uma de casal, que ela dividia com Josely, e outra de solteiro, onde Juliana dormia. Tambem tem bichos de pelúcia, bonecas e alguns poucos cremes e perfumes. Era neste quarto que, já deitadas, elas conversavam e davam risadas, lembrando o que tinham feito durante o dia e planejando o dia seguinte. Vivendo assim, na companhia zelosa dos pais, na simplicidade de um sítio, no aconchego de uma casa pequena e modesta, na companhia de cães, galinhas, porcos e passarinhos, elas eram muito felizes. Parece pouco, mas só quem viveu algo parecido sabe como é possível ser imensamente feliz assim. Esta felicidade, os sonhos, talvez até o futuro de quem ficou, tudo foi destruído por um canalha. Esta semana Ananias foi preso e confessou os crimes. É um canalha. Assim como o rapaz que invadiu a escola em Realengo, no Rio de Janeiro, e disparou contra dezenas de crianças. Conheci alguns personagens desta tragédia. Alunos que, por muito pouco, não estiveram na mira do atirador. Professores que agiram como heróis. Mães que buscaram desesperadamente pelos filhos. Tudo porque um cara que estava destinado a passar em branco pela vida resolveu assinar uma obra demoníaca e, assim, entrar tristemente para a história. Como entender, e perdoar, os Ananias, Wellingtons e tantos outros que matam por matar ? Ao contrário de seo José, o pai das meninas de Cunha, que tem uma religiosidade e uma grandeza de espírito muito maiores que as minhas, eu não entendo e não perdoo. Entendo que eles agiram assim movidos somente pela maldade. A mesma maldade que se enraiza no coração dos homens e aparece de tempos em tempos, como que para nos lembrar: 'eu existo. Sou eu que estou por trás de um genocídio, do índio queimado, dos meninos mortos na Candelária, das mortes de Mércia, Vanessa, dos homicídios, latrocínios, estupros, espancamentos, enfim, sou eu, a maldade, a razão de tudo isso.' E ela não se ampara em credos, religiões, convicções, fanatismo, em nada! Ananias e Wellington não eram fanáticos, não eram lunáticos, não eram doentes, não eram petistas, não eram tucanos, não eram flamenguistas nem corintianos. Não eram nada. Eram maus. Só isso. Seo José por certo não concorda comigo. Ele tem um coração grande demais. Acha que todas as pessoas são frutos da mesma árvore. E que esta árvore só dá boas sementes. Eu penso diferente. Acho que os frutos dependem sempre da maneira como a árvore é cultivada. Sabe aquela história, de que todos temos dois animais famintos no coração ? Um se alimenta de bondade. E o outro, de maldade. Aquele que voce alimentar mais, crescerá mais, e tomará conta de seu coração. Como tomaram conta do coração de Ananias e Wellington.
terça-feira, 29 de março de 2011
Fé cega, faca amolada
Você acredita em profecias ? Acha que tudo está escrito e nosso destino está selado ? Ou nosso caminho é incerto e depende unicamente de nossas escolhas ? Acho que a resposta varia de acordo com a crença de cada um. E a palavra 'crença' aqui não tem uma conotação exclusivamente religiosa. Serve para quem acredita ou não em profecias. Desde que o homem é homem existe este fascínio pelo futuro. Sempre houve esforços para desvendar o amanhã. Os Maias, muitos séculos atrás, elaboraram um calendário que até hoje impressiona os cientistas por sua exatidão. Eles denominavam o fim do ciclo de seu calendário como o 'Fim dos Tempos'. E o fim do Calendário Maia é previsto para 2012. Por acaso, ou não por acaso, astronomos preveem que, ano que vem, muitos dos planetas de nosso sistema solar estarão em perfeito e impressionante alinhamento. A combinação do efeito gravitacional e o campo magnético destes planetas causará pressão sobre cada um deles e, desta forma, um aumento significativo das atividades sísmicas e vulcânicas na terra. Atenção, amigos de bar! Será que, neste caso, qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência ? Sinistro! Nostradamus tambem fez previsões catastróficas. E é fácil encontrar alguem disposto a provar que tudo que Nostradamus escreveu já aconteceu em algum tempo e lugar. E que outros acontecimentos mais terríveis ainda estão por vir. Como, por exemplo, uma guerra no Mediterrâneo envolvendo americanos, árabes e israelitas. De novo, sinistro! E, por fim, a Biblia tambem traz profecias sobre o fim dos tempos. Não é por acaso que o livro do Apocalipse é o mais lido da Bíblia. Ele traz revelações sobre o destino dos homens e do planeta. Entre elas, a de que haverá um tempo de tribulação e um tempo de arrebatamento. Guerras e cataclismas vão castigar os homens. Mas muitos serão arrebatados espiritualmente antes do juizo final. E como não existe na Bíblia uma data definida , basta acontecer um evento formidável ou catastrófico para que muitos vejam aí o sinal de que o fim dos tempos está chegando. Dá pra lembrar, assim, sem muito esforço, de uma série de fatos que inspiraram as mais diversas teorias conspiratórias: ataque às torres gemeas; furacão Katrina; bug do milênio; tsunami na Indonésia; terremoto no Haiti; terremoto no Chile e, agora, terremoto e tsunami no Japão. Este ultimo evento motivou uma familia de Diadema a sair por aí, andando pelo mundo e esperando o momento de serem arrebatados. Confesso que nunca tinha ouvido falar na profecia do arrebatamento. E a descobri fazendo a matéria sobre a família desaparecida. Interessante que ninguem ali, além do pai, levava a sério a profecia. O filho de 22 anos tinha discussões intermináveis com o pai por causa disso. Mas bastaram dois dias de falação na cabeça para o rapaz acreditar que o momento havia chegado. Havia até data e hora marcadas! Dia 14 as 14 horas. Eles chegaram a essa conclusão depois de fazer contas, decifrar versículos e calcular datas num calendário hebraico. Na verdade, foram induzidos por um pregador que conquistou a confiança do pai e o convenceu sobre as datas. Rasgaram dinheiro, deixaram amigos e parentes em desespero e sumiram no mundo. Menos mal que, depois que a matéria foi exibida, os quatro foram localizados num albergue em Ourinhos, no interior de São Paulo. O pai ainda relutou em voltar. Queria continuar a caminhada incerta em busca do arrebatamento. Loucos ? Surtados ? Sei lá. Muita gente se deixa levar por paixões avassaladoras. Sejam elas por uma pessoa, um time de futebol, um partido político ou uma religião. O fanatismo tem o poder de arrebatar mentes e corações. Só que fanáticos não argumentam, não suportam serem contrariados e terminam agindo como autômatos, guiados apenas por suas convicções. Por mais controversas que elas sejam. E mesmo que isso represente perdas irreparáveis. Em pleno século 20 um suposto profeta chamado Jim Jones levou 918 pessoas ao suicídio. Entre elas doutores, professores, advogados e empresários. Gente que ficou cega pelo fanatismo. Ou pela fé exacerbada. O fato é que sempre houve e sempre haverá videntes, astrólogos, médiuns e profetas tentando antever o futuro. Alguns definem datas. No calendário Maia o Juizo Final tem data marcada. Nostradamus tambem datou muitas de suas profecias. A Bíblia, porém, conforta ao dizer que 'o dia e a hora ninguem sabe. Nem ainda os anjos dos céus. Apenas o Pai que está nos céus'.
Aliás, você acredita em profecias ?
Abaixo, a reportagem sobre a família que esperava o arrebatamento.
Aliás, você acredita em profecias ?
Abaixo, a reportagem sobre a família que esperava o arrebatamento.
sábado, 19 de março de 2011
A honra japonesa
Na redação do Domingo Espetacular um dos monitores de tv está sintonizado na CNN internacional. Na tela, imagens da tragédia japonesa. É assim em todos os canais. Sob vários ângulos, pontos de vista, análises e abordagens, emissoras do mundo inteiro mostram a interminável agonia provocada pelo terremoto e pelo tsunami. Décadas depois de serem impiedosamente castigados pela mão do homem, através dos crimes de Hiroshima e Nagasaki, os japoneses descobrem que a natureza tambem é implacável. E a catástrofe pode ser maior. O pesadelo de uma nuvem nuclear ainda assombra o Japão. Um destino duro demais para um país de homens honrados e trabalhadores. Tenho muitas afinidades com os japoneses e com o Japão, apesar de nunca ter estado lá. Antes de me formar em jornalismo, trabalhei num banco japonês: o Mitsubishi Brasileiro, que hoje não opera mais por aqui. Trabalhava durante o dia todo e fazia faculdade de jornalismo à noite. E lá, além de mim, só tinha mais dois funcionários sem nenhuma descendência japonesa. Todos os outros, cerca de trinta, eram japoneses, nisseis (primeira geração) ou sansseis (segunda geração). E 99,9% dos clientes eram comerciantes ou feirantes japoneses que trabalhavam no Ceasa. Como trabalhava no caixa, tinha contato direto com todos eles. Foram quase cinco anos no Mitsubishi. Tempo suficiente para aprender um pouco da cultura, algo do idioma, apreciar muito a culinária e, principalmente, descobrir que, no trabalho e na vida, a disciplina é importante, o respeito é fundamental e a honra é um valor inalienável. Eles são mestres nisso. Tanto que agora, mesmo em meio ao caos, ainda preservam valores que o mundo ignora. Ainda não vi, em nenhuma emissora, imagens de saques, arrastões, furtos ou roubos. Pode ser que ainda aconteçam. Em algum momento o instinto de sobrevivência vai falar mais alto que valores éticos e morais. Mas a lição já foi dada. E outra virá em seguida, quando, passado o desastre, o país se reerguer rapidamente. Como já aconteceu tantas outras vezes ao longo da história. Sempre empurrado pela força e determinação de um povo regido pelo respeito, disciplina e honra. Aos irmãos japoneses, meu respeito, meu carinho e minha solidariedade.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
As muitas mortes de Vanessa
Tempos atrás fiz uma reportagem sobre uma jovem que desapareceu misteriosamente. E mais tarde foi encontrada morta. Assassinada. A moça se chamava Mércia Nakashima. Quando fiz a matéria para o Domingo Espetacular, oito meses atrás, refiz o percurso da casa dela até a represa onde o corpo havia sido localizado. E acabei encontrando, casualmente, a agenda de Mércia na água. Oito meses depois a trágica história de Mércia se repetiu com Vanessa Vasconcelos Duarte. Ela tinha 25 anos e foi torturada e estuprada antes de ser morta. Quando fui pautado para fazer a matéria, resolvi refazer tambem o trajeto que poderia ter sido feito pelos assassinos de Vanessa. E no local do crime acabei encontrando a sandália que Vanessa usava quando foi morta. Um detalhe aparentemente banal, mas que evidencia a negligência das perícias em ambos os casos. Como se não bastasse a ineficiência da polícia para localizar e prender criminosos. O estado de São Paulo tem hoje 152 mil foragidos. Fora os réus confessos que a justiça não consegue ou não quer prender. Além da dor pela perda de pessoas queridas, as famílias das vítimas têm que conviver com a angústia de saber que os criminosos estão por aí. Livres, leves e soltos. É como morrer duas vezes.
Abaixo, a reportagem sobre o caso Vanessa.
Abaixo, a reportagem sobre o caso Vanessa.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O monstro do Maranhão
Meus amigos de bar, foi decretado o fim da temporada de ócio! Depois de trinta e poucos dias distante do trabalho é hora de arregaçar as mangas e recarregar as baterias. Aliás, esta coisa de férias de jornalista gera folclore. Meu amigo Afonso Mônaco me conta que, certa vez, um apresentador que hoje trabalha no SBT (e não é o Carlos Nascimento), estava dando uma palestra numa faculdade quando um aluno perguntou: "Quais foram os melhores momentos de sua carreira ?' E ele respondeu na maior tranquilidade: "Ah, os melhores momentos, sem dúvida nenhuma, foram durante as férias!' A história, engraçada, serve para mostrar que muita gente se desliga completamente de suas profissões enquanto descansa. Eu até tento, mas confesso que não consigo. Nas férias, acompanho o noticiário pela tv e internet. Mas sem exagero e com a vantagem de ter uma lata de cerveja ao alcance da mão. Agora, de volta ao batente, acompanho ainda mais de perto. No caminho até a redação costumo ouvir as notícias pelo rádio do carro. E outro dia me espantei quando foi noticiada uma rebelião na delegacia de Pinheiro, interior do Maranhão. Estive lá, nesta delegacia, em agosto do ano passado, fazendo uma reportagem sobre José Agostinho Bispo Pereira, de 55 anos. Um pai que abusou sexualmente das filhas durante muitos anos. Teve um filho-neto com uma delas. E sete filhos-netos com outra. Os abusos começaram quando uma das meninas tinha apenas doze anos de idade. E continuaram até o ano passado, quando o caso foi denunciado por vizinhos. Na delegacia entrevistei José Agostinho. E, ao contrário do que imaginava, ele não despertou em mim sentimentos como raiva ou nojo. José Agostinho não é um pedófilo ou um maníaco sexual como estamos acostumados a ver. Não fez o que fez porque era dominado por uma tara incontrolável. Fez porque achava normal. E os vizinhos tambem achavam normal, porque todos sabiam e se calaram durante décadas. No interior do Maranhão, sem a chance de conviver com valores básicos, José Agostinho e as filhas viviam como bichos. E passaram a agir como tal. As relações incestuosas são comuns para muitas espécies de animais. Mas não para os homens. José Agostinho cometeu um crime hediondo e estava pagando por ele. Até a rebelião. Esta semana os detentos rebelados invadiram o 'seguro' onde ele estava, com mais cinco acusados de pedofilia, e fizeram uma carnificina. Todos os seis foram mortos. Quatro deles, decapitados. Termina assim, em tragédia, a trágica história de José Agostinho. Talvez tenha sido melhor para ele. Tomara que seja melhor tambem para todas as filhas e filhos-netos do homem que ficou conhecido como 'o monstro do Maranhão'.
Você pode conhecer um pouco melhor a história através da reportagem, exibida em agosto do ano passado, que está disponibilizada abaixo.
Você pode conhecer um pouco melhor a história através da reportagem, exibida em agosto do ano passado, que está disponibilizada abaixo.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Programa do Gugu
Acho que estou caducando. Já tinha escrito uma mensagem de ano novo e depois escrevi outra. O ócio das férias faz isso mesmo. Mas tudo certo. Desejar o bem nunca é demais. E este post, agora definitivo, é para falar sobre a participação no Programa do Gugu. Foi muito legal o convite. Fazia muitos anos que eu tinha visto, pela última vez, a matéria sobre a queda do avião da Gol. E me emocionei novamente quando a revi, durante a gravacão. Percebi que, tantos anos depois, muitas pessoas na platéia tambem se emocionaram. Foi certamente a reportagem mais marcante de minha carreira. E tenho certeza que outras virão. Só espero que tenham finais mais felizes. Muitas dessas histórias fazem parte de um projeto que, um dia, vai se transformar em livro. Desses para ser lido na praia, na faculdade, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê. E, olha gente, muito obrigado pelas mensagens!! Esse carinho é a base fundamental. Essencial. O alicerce que sustenta qualquer caminhada. Obrigado, sempre, amigos e amigas de bar.
Abaixo, está disponibilizado o vídeo com participação no Programa do Gugu.
Abaixo, está disponibilizado o vídeo com participação no Programa do Gugu.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Interrogações
É, amigos de bar, mais um ano se foi. Para uns, deixando boas lembranças e algumas saudades. Para outros, apenas um ano a mais. Indiferente ou para ser esquecido. É hora de fazer o balanço. Verificar pendências e analisar onde podemos melhorar para fechar o próximo ano no azul. Contabilize cada sorriso dado e recebido. Cada abraço sincero. Cada olhar de reconhecimento por algo bom que fizemos. Ou cada expressão de decepção por algo que deixamos de fazer. Neste balanço essencial o verdadeiro lucro está naquilo que acrescentamos em nossas vidas. E independentemente do quanto você tenha lucrado, em sorrisos e alegrias, é importante não se esquecer de que sempre poderemos fazer mais e melhor. Feliz 2011 para todos.
No balanço que se refere a trabalho, a última reportagem que fiz em 2010 me deixou muitas interrogações. Foi sobre o noivo que matou a noiva e um convidado durante a festa do próprio casamento. Intrigante demais da conta. A ponto de provocar outras indagações. Penso que todas as reportagens devem ser esclarecedoras. Mas como esclarecer ou descobrir os mistérios da alma ? Como explicar o ato de um filho, se nem o próprio pai consegue entende-lo ? A conclusão, precipitada, da maioria foi a mais óbvia: de que se tratava de um crime passional. Mas o casal estava feliz e nao havia traição entre eles. Teria sido então um momento de loucura, um ligeiro instante onde o rapaz foi tomado por uma fúria assassina e incontrolável ? Poderia até ser, mas foi tudo planejado, premeditado. Seria o noivo um psicopata, uma pessoa que dissimulava as atitudes e as intenções ? Os especialistas dizem que não. Que pessoas assim acabam revelando suas insanidades através de atos do dia a dia. Então, por detrás de qual máscara se escondia o assassino ? Creio que nunca saberemos. Igual ao pai, corroído pela dor das perdas e por uma pergunta sem resposta, amigos e parentes das vítimas ainda buscam explicações para as mortes. As respostas talvez tenham sido sepultadas com o principal protagonista da tragédia.
A reportagem completa está disponibilizada abaixo. Junto com todas as interrogações que carrega.
No balanço que se refere a trabalho, a última reportagem que fiz em 2010 me deixou muitas interrogações. Foi sobre o noivo que matou a noiva e um convidado durante a festa do próprio casamento. Intrigante demais da conta. A ponto de provocar outras indagações. Penso que todas as reportagens devem ser esclarecedoras. Mas como esclarecer ou descobrir os mistérios da alma ? Como explicar o ato de um filho, se nem o próprio pai consegue entende-lo ? A conclusão, precipitada, da maioria foi a mais óbvia: de que se tratava de um crime passional. Mas o casal estava feliz e nao havia traição entre eles. Teria sido então um momento de loucura, um ligeiro instante onde o rapaz foi tomado por uma fúria assassina e incontrolável ? Poderia até ser, mas foi tudo planejado, premeditado. Seria o noivo um psicopata, uma pessoa que dissimulava as atitudes e as intenções ? Os especialistas dizem que não. Que pessoas assim acabam revelando suas insanidades através de atos do dia a dia. Então, por detrás de qual máscara se escondia o assassino ? Creio que nunca saberemos. Igual ao pai, corroído pela dor das perdas e por uma pergunta sem resposta, amigos e parentes das vítimas ainda buscam explicações para as mortes. As respostas talvez tenham sido sepultadas com o principal protagonista da tragédia.
A reportagem completa está disponibilizada abaixo. Junto com todas as interrogações que carrega.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Tempo de sonhar
Mais um ano se passou. E outro chega, nos trazendo, como sempre, algumas dúvidas, incertezas, mas tambem perspectivas, que sempre devem ser acompanhadas de sonhos e planos. Que nossas mentes e nossos corações estejam preparados para novos desafios. É preciso pedir a Deus que nos ensine a enfrenta-los com altivez e coragem. Sem lagrimas e sem preguica. Que Ele não permita que nos isolemos ou cruzemos os braços, a lembrar tarefas passadas como desculpas que nos dispensem de novos esforços.
Aos amigos de bar, frequentes ou eventuais, um Natal cheio de sorrisos. E que 2011 venha acompanhado de muitas alegrias, realizações, saúde e paz. Tomara que o ano que chega seja repleto de muitas boas notícias para todos nós. Afinal, nós merecemos, não é mesmo ? Obrigado pela companhia neste boteco. E pelo carinho indispensável. Brindemos!!!
Aos amigos de bar, frequentes ou eventuais, um Natal cheio de sorrisos. E que 2011 venha acompanhado de muitas alegrias, realizações, saúde e paz. Tomara que o ano que chega seja repleto de muitas boas notícias para todos nós. Afinal, nós merecemos, não é mesmo ? Obrigado pela companhia neste boteco. E pelo carinho indispensável. Brindemos!!!
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Incríveis
A música foi sucesso com a mesma banda que dizia existir por aí um garoto que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. Como bem notou Bete, frequentadora deste boteco, a canção serviu de inspiração para o nome do blog. Pena que, incrivelmente, não encontrei nenhum vídeo original com a banda. Não é a música tema do blog, mas poderia ser.
Para ouvir, clique no 'play' abaixo.
Para ouvir, clique no 'play' abaixo.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Daktari
Existem alguns ícones que ficam marcados para sempre em nossas vidas. E muitos são relacionados com a televisão. Quem é do tempo do 'reclame', como eu, certamente se lembra do '- Quem bate ? - É o frio!', e a musiquinha 'Nào adianta bater, eu não deixo você entrar...'. Assim como esses 'reclames', alguns seriados tambem marcaram a vida de muitos de nós. Quantos não fomos apresentados, através da televisão, a um mundo diferente, habitado por Jerônimos, Paladinos e Noviças Voadoras ? Eu tinha alguns preferidos. Gostava de assistir 'Viagem ao Fundo do Mar', 'O Túnel do Tempo' e 'Terra de Gigantes'. E tambem de 'Daktari'. Na época eu nem sabia, mas Daktari era ambientado no Quênia. O herói era um veterinário americano que vivia numa reserva cuidando de animais como leões e elefantes. Ele tinha um mascote chamado Clarence, um leão vesgo que ajudava a combater os vilões que invadiam a reserva. Daktari era um pouco diferente dos outros seriados porque não se baseava somente em ficção. Tipos, todos sabíamos que aquele mundo existia de fato. Que não era um mundo paralelo, embora habitado tambem por feras e gigantes que pareciam irreais aos nossos olhos. Quando digo ´nossos´ me refiro aos amigos de Cabo Verde que jamais havíamos visto nenhum animal selvagem de perto. A não ser quando um circo passou por lá, mas os animais eram tão magros e maltratados que, em vez de medo, sentíamos pena deles. O leão, coitado, vivia numa jaula pequena e dava pra ver até as costelas do bicho. De lá para cá voltei a ver muitos outros animais africanos de perto, mas sempre em zoológicos ou cativeiros. Por isso foi muito especial fazer um safari jornalístico no Quênia. O país é um dos mais pobres do mundo. O censo nacional, divulgado dois dias depois de nossa chegada, revelou indicadores que lembram o Brasil de 50 anos atrás. Somente doze por cento da população tem acesso à água encanada. A renda per capita é de pouco mais de 300 dólares. Ou seja, cada habitante recebe, em média, menos de 1 dólar por dia. E pouco mais de cinco por cento das famílias possuem televisão em casa. Este último dado acaba criando lá, situações raras aqui pelo Brasil. Em um domingo, por exemplo, viajamos mais de 700 quilômetros para chegar até um parque nacional. No caminho passamos por muitas vilas e povoados. E em todos havia muita gente nas ruas. Os quenianos mantém o saudável hábito de conversar em grupo nas praças e mercados. Famílias inteiras se reunem, depois dos cultos ou missas, para animadas conversas. Eu fiquei imaginando se haveria tanta gente nas ruas se todos tivessem televisões em casa. Pena que a viagem foi curta e não foi possível mostrar, nas reportagens, um pouco dos hábitos e da vida dos quenianos. A missão era outra: acompanhar uma transferência de bufalos. E tentar alguns flagrantes nas reservas e parques nacionais. Parece fácil, mas fazer matérias sobre bichos não é mole, não. Ainda mais se o bicho é selvagem, grande e pode matar facilmente uma pessoa. Não dá pra fazer uma matéria contemplativa sobre estes animais. Ficaria chato toda vida. E obviamente não dá tambem para interagir com eles. Com exceção da caçada aos búfalos, nas outras reservas não podíamos descer do carro em nenhum momento. Claro que desobedeci estas ordens algumas vezes, ou não conseguiria fazer as reportagens. E olha, vou te dizer viu, não dá pra descrever a sensação de estar a poucos metros de feras como leões e rinocerontes em ambiente natural.
Aliás, descobrimos lá um santuário que tenta salvar os últimos rinocerontes brancos do norte. Esta é, talvez, a subespécie mais ameaçada do planeta. Só existem oito rinocerontes assim no mundo. Quatro estão num zoológico dos Estados Unidos. Os outros quatro estavam tambem num zoológico da República Tcheca, mas foram transferidos para este santuário no Quênia. Especialistas estão tentando fazer com que estes bichos recuperem, no ambiente natural, o gosto pelo acasalamento. É a última e desesperada tentativa de salvar a espécie da extinção absoluta. Estão entre a cruz e a espada: ou transam ou desaparecem. Eu, no lugar deles, não pensaria duas vezes. E não são somente estes gigantes que estão ameaçados. A população de leões tambem vem diminuindo gradativamente no Quênia e em outras nações africanas. Inclusive a transferência dos búfalos só foi feita porque leões estavam morrendo de fome em uma determinada reserva. É com ações deste tipo que alguns quenianos tentam manter o delicado equilibrio nas reservas e parques nacionais. Tal qual o Dr. Daktari, ainda existem heróis solitários lutando pela vida selvagem no Quênia.
Ah, claro que muitos vão discordar, mas na minha opinião o bicho mais bonito de todos os africanos é a girafa. Graciosa, delicada, elegante e ao mesmo tempo, lerda e desengonçada. Tipicamente femininas, lembram algumas top models por aí. E lá é possível encontrar grupos com dezenas delas caminhando livremente nas savanas. Como diz aquele 'reclame': não tem preço!
A reportagem sobre a transferência dos búfalos voce pode assistir clicando abaixo:
Aliás, descobrimos lá um santuário que tenta salvar os últimos rinocerontes brancos do norte. Esta é, talvez, a subespécie mais ameaçada do planeta. Só existem oito rinocerontes assim no mundo. Quatro estão num zoológico dos Estados Unidos. Os outros quatro estavam tambem num zoológico da República Tcheca, mas foram transferidos para este santuário no Quênia. Especialistas estão tentando fazer com que estes bichos recuperem, no ambiente natural, o gosto pelo acasalamento. É a última e desesperada tentativa de salvar a espécie da extinção absoluta. Estão entre a cruz e a espada: ou transam ou desaparecem. Eu, no lugar deles, não pensaria duas vezes. E não são somente estes gigantes que estão ameaçados. A população de leões tambem vem diminuindo gradativamente no Quênia e em outras nações africanas. Inclusive a transferência dos búfalos só foi feita porque leões estavam morrendo de fome em uma determinada reserva. É com ações deste tipo que alguns quenianos tentam manter o delicado equilibrio nas reservas e parques nacionais. Tal qual o Dr. Daktari, ainda existem heróis solitários lutando pela vida selvagem no Quênia.
Ah, claro que muitos vão discordar, mas na minha opinião o bicho mais bonito de todos os africanos é a girafa. Graciosa, delicada, elegante e ao mesmo tempo, lerda e desengonçada. Tipicamente femininas, lembram algumas top models por aí. E lá é possível encontrar grupos com dezenas delas caminhando livremente nas savanas. Como diz aquele 'reclame': não tem preço!
A reportagem sobre a transferência dos búfalos voce pode assistir clicando abaixo:
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Paratodos
"O meu pai era paulista
meu avô pernambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô baiano..."
O versos iniciais de 'Paratodos', do genial Chico Buarque, mostram bem o caldeirão multiracial em que vivemos. Embora tenha nascido em berço esplêndido (o pai era historiador e a mãe, pintora e pianista) Chico jamais revelou qualquer simpatia pelo preconceito. Muito pelo contrário. Ele já incorporou, em suas canções, vadios e miseráveis. Já foi o guri que rouba nos semáforos e a biscate que gosta de apanhar. E exatamente por se sentir parte destes vários ´Brasis´, Chico é um exemplo a ser seguido. Mas nem todos se miram nele. Alguns acontecimentos recentes mostram que, ao contrário de Chico, muitos brasileiros estão aprendendo a enxergar através das lentes do preconceito e da intolerância. Primeiro foi uma garota chamada Mayara Petruso, estudante de Direito, que postou no Twitter uma mensagem culpando os nordestinos pela vitória de Dilma Roussef.
A mensagem ganhou eco na Internet e logo apareceram algumas mentes insanas para apoiar a moça. No rastro do ódio destilado pelos intolerantes surgiu tambem um sujeito em Santa Catarina, comentarista da RBS, afiliada da Globo, que vomitou preconceito contra os pobres. Ao vivo e em cores. Para o fascista, os pobres são responsáveis pelos acidentes de trânsito. E o governo é culpado por ter permitido o acesso dos ´miseráveis´ a estes bens de consumo.
Se você tiver estômago, assista a performance abaixo:
Talvez incentivados pelos exemplos da estudante paulista e do comentarista gaúcho, um grupo de jovens de classe média em São Paulo resolveu agredir alguns rapazes que passavam pela calçada. As imagens da agressão foram gravadas por cameras de segurança. Veja abaixo.
Os pais dos agressores disseram que tudo não tinha passado de uma briga banal. E que os 'meninos' reagiram porque tinham sido 'cantados' pelos rapazes. Apesar das imagens desmentirem a versão dos pais, a justiça se apressou em liberar os agressores. Aliás, é incrível como a justiça age com rapidez quando se trata de libertar ou inocentar filhos de pais abastados. Age assim para poucos. Deveria ser para todos. Aliás, em nenhum destes casos, os agressores sofreram qualquer tipo de punição.
Mas assim, com bad-boys e old-boys, temos três agressões em sequência. Será que foi coincidência ? Ou será que uma nova geração, racista e homofóbica, está mostrando a cara ? Afinal todos os personagens têm pontos em comum. Estudam ou estudaram em colégios caros. Estão acostumados a passar férias no exterior. E só se sentem bem enquanto estão nos seus quadrados. Afinal, nos quadrados deles todos são ´iguais´. Por isso não suportam os 'diferentes'. E os 'diferentes' são todos aqueles que estão numa escala abaixo daquela que eles estabelecem como padrão: a condição social. Todos aqueles que são mais pobres do que eles são considerados inferiores. Para não passar em branco pela vida estes 'iguais' encontram amparo no preconceito, no ódio e na intolerância. Como diria Chico Buarque, vão morrer na contramão. Atrapalhando o tráfego.
Finalizando, para os amigos de bar, uma boa dose de Chico Buarque! De graça e para todos.
meu avô pernambucano
o meu bisavô, mineiro
meu tataravô baiano..."
O versos iniciais de 'Paratodos', do genial Chico Buarque, mostram bem o caldeirão multiracial em que vivemos. Embora tenha nascido em berço esplêndido (o pai era historiador e a mãe, pintora e pianista) Chico jamais revelou qualquer simpatia pelo preconceito. Muito pelo contrário. Ele já incorporou, em suas canções, vadios e miseráveis. Já foi o guri que rouba nos semáforos e a biscate que gosta de apanhar. E exatamente por se sentir parte destes vários ´Brasis´, Chico é um exemplo a ser seguido. Mas nem todos se miram nele. Alguns acontecimentos recentes mostram que, ao contrário de Chico, muitos brasileiros estão aprendendo a enxergar através das lentes do preconceito e da intolerância. Primeiro foi uma garota chamada Mayara Petruso, estudante de Direito, que postou no Twitter uma mensagem culpando os nordestinos pela vitória de Dilma Roussef.
A mensagem ganhou eco na Internet e logo apareceram algumas mentes insanas para apoiar a moça. No rastro do ódio destilado pelos intolerantes surgiu tambem um sujeito em Santa Catarina, comentarista da RBS, afiliada da Globo, que vomitou preconceito contra os pobres. Ao vivo e em cores. Para o fascista, os pobres são responsáveis pelos acidentes de trânsito. E o governo é culpado por ter permitido o acesso dos ´miseráveis´ a estes bens de consumo.
Se você tiver estômago, assista a performance abaixo:
Talvez incentivados pelos exemplos da estudante paulista e do comentarista gaúcho, um grupo de jovens de classe média em São Paulo resolveu agredir alguns rapazes que passavam pela calçada. As imagens da agressão foram gravadas por cameras de segurança. Veja abaixo.
Os pais dos agressores disseram que tudo não tinha passado de uma briga banal. E que os 'meninos' reagiram porque tinham sido 'cantados' pelos rapazes. Apesar das imagens desmentirem a versão dos pais, a justiça se apressou em liberar os agressores. Aliás, é incrível como a justiça age com rapidez quando se trata de libertar ou inocentar filhos de pais abastados. Age assim para poucos. Deveria ser para todos. Aliás, em nenhum destes casos, os agressores sofreram qualquer tipo de punição.
Mas assim, com bad-boys e old-boys, temos três agressões em sequência. Será que foi coincidência ? Ou será que uma nova geração, racista e homofóbica, está mostrando a cara ? Afinal todos os personagens têm pontos em comum. Estudam ou estudaram em colégios caros. Estão acostumados a passar férias no exterior. E só se sentem bem enquanto estão nos seus quadrados. Afinal, nos quadrados deles todos são ´iguais´. Por isso não suportam os 'diferentes'. E os 'diferentes' são todos aqueles que estão numa escala abaixo daquela que eles estabelecem como padrão: a condição social. Todos aqueles que são mais pobres do que eles são considerados inferiores. Para não passar em branco pela vida estes 'iguais' encontram amparo no preconceito, no ódio e na intolerância. Como diria Chico Buarque, vão morrer na contramão. Atrapalhando o tráfego.
Finalizando, para os amigos de bar, uma boa dose de Chico Buarque! De graça e para todos.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A tragédia silenciosa
Amigos de bar, mais uma vez o balcão ficou vazio por um tempo. Menos mal que só eu me ausentei. Porque, apesar do boteco ter ficado desatualizado, os amigos continuaram frequentando o pedaço. Obrigado mesmo, de coração, pela presença. E entendam, meus caros, que o silêncio faz parte da mineiridade. De vez em quando, períodos de quietude são necessários. Para acalmar a alma e sossegar o facho. Mas chega de filosofia barata. Vamos ao que interessa. Esta semana, no programa Domingo Espetacular, foi exibida uma reportagem sobre um tema muito delicado: a morte de crianças indígenas em aldeias brasileiras. A matéria foi fruto do trabalho incansável do produtor Ricardo Madureira e da edição impecável de Cristiane Massuyama. Mas antes de falar sobre a reportagem, permitam-me um devaneio. Durante anos trabalhei em um programa, veiculado pela Globo de Campinas, que aborda temas como conservação e meio ambiente. Para fazer as reportagens, estive inúmeras vezes na Amazônia. E conheci muitas aldeias indígenas. Este contato com os índios continuou na Record. Quando fiz a reportagem sobre a queda do avião da Gol, por exemplo, foi com a ajuda dos índios, liderados pelo cacique Megaron Txucarramãe, que entrei na área onde estavam os destroços. E já contei aqui no blog tambem como foi bacana conhecer os Iawanawas, nos confins do Acre. Mas confesso que um detalhe sempre me intrigou. Em todas as aldeias que estive, e não foram poucas, jamais vi um índio portador de deficiência (física ou mental). Ou cego. E então pensava com meus botões: 'poxa, como a natureza é sábia. Ela coloca os índios num ambiente hostil mas, ao mesmo tempo, os capacita com o privilégio de não terem deficiências tão comuns ao homem branco'. Agora, depois de alguns meses trabalhando nesta reportagem, descobri que minha avaliação estava completamente equivocada. E era ingênua. Nascem, sim, muitos portadores de deficiências nas aldeias brasileiras. Talvez até mais do que nas cidades, por causa da consanguinidade. Como a população das aldeias é relativamente pequena, parentes proximos entre si acabam se relacionando. O que acontece é que, em muitas destas aldeias, as crianças que nascem com algum tipo de deficiência são mortas. Assim como filhos de mães solteiras, gêmeos, albinos e cegos. Todos são eliminados. Alguns, logo que nascem. Outros, assim que as deficiências ou doenças dão os primeiros sinais. Os gêmeos são mortos porque, segundo a cultura indigena, são frutos de um espírito mau. Algumas etnias matam os dois bebes. Outras matam somente o segundo bebê. Ainda segundo a tradição, para que os maus espiritos não se espalhem pela terra, o último suspiro não pode ser dado ao ar livre. Então, as crianças são afogadas ou enterradas vivas. Existem cerca de duzentos povos indígenas no Brasil. E pelo menos vinte ainda praticam esta perversa tradição. Para fazer a reportagem, estive no Mato Grosso, Paraná e Brasilia. E conheci alguns personagens desta tragédia silenciosa. Pessoas que carregam o estigma de sobreviventes, porque estiveram marcados para morrer. Alguns chegaram a ser enterrados. Foi comovente ouvir o relato de pessoas que arriscaram a vida para salvar pequenos índios condenados. Por quebrar a tradição, estes heróis anônimos foram condenados ao exílio. E vivem longe de suas aldeias. É um erro grave imaginar que os índios não sofrem quando uma criança é morta. Muitos pais preferem se matar, em vez de ver a morte dos proprios filhos. Um grito silencioso de socorro ecoa nas aldeias. E as autoridades se calam. Ninguem da Funai se prontificou a gravar entrevista. Além disso, muitos antropólogos defendem a tese de que não se deve interferir nestas práticas, porque 'a cultura do índio deve ser preservada'. Alguns acham que os índios fazem isso por conveniência. Outros entendem que a prática é, na verdade, uma seleção 'natural' para escolher os mais 'aptos' a sobreviver na selva. Imagino que, entre outras teses, defendam tambem o apedrejamento de mulheres e a mutilação de meninas em paises muçulmanos. Enquanto a sociedade debate, e as autoridades se calam, crianças ainda são mortas em nome da tradição.
A foto que abre o post mostra a índia Muwajii com a filhinha Iganani nos braços. Nesta época elas ainda viviam entre os suruarrás, no sul do Amazonas. Algum tempo depois, Iganani começou a demonstrar sinais de uma doença que mais tarde seria diagnosticada como paralisia cerebral. Foi quando a tribo exigiu a morte de Iganani. Para não matar a própria filha, Muwajii fugiu da aldeia. Hoje ela vive com a filhinha, que é linda, numa Ong em Brasília. Muwajji é uma das personagens desta história. Que acontece desde sempre no Brasil. E desde sempre é ignorada pela imprensa e pela imensa maioria dos brasileiros.
A reportagem completa você pode assistir clicando abaixo.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Brigam Espanha e Holanda
Amigos de bar! Depois de um longo e tenebroso inverno, eis-me de volta para breves pitacos. Meu irmão Flávio Arantes me lembra que, por uma dessas espetaculares e maravilhosas coincidências da vida, Milton Nascimento e Leila Diniz previram, num lindo poema, a batalha final na África do Sul.
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Por que não sabem que o mar
É de quem o sabe amar...
Na antiguidade, espanhóis e holandeses navegaram pelos sete mares. Em busca de ouro e terras, os 'conquistadores' saquearam, mataram e aniquilaram povos e culturas. E os holandeses desbravaram fronteiras marítimas. Ei-los aí, de novo. Tantos séculos depois, brigam Espanha e Holanda pelos direitos da bola.
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
Que nele sabem voar
O mar é das gaivotas
E de quem sabe navegar
Brigam Espanha e Holanda
Pelos direitos do mar
Brigam Espanha e Holanda
Por que não sabem que o mar
É de quem o sabe amar...
Na antiguidade, espanhóis e holandeses navegaram pelos sete mares. Em busca de ouro e terras, os 'conquistadores' saquearam, mataram e aniquilaram povos e culturas. E os holandeses desbravaram fronteiras marítimas. Ei-los aí, de novo. Tantos séculos depois, brigam Espanha e Holanda pelos direitos da bola.
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